Revista Laica

VidaEducação

MANTENHA-ME CONECTADO

FERRAMENTAS DAS REDES SOCIAS CAEM NO GOSTO DOS ESTUDANTES
E COMEÇAM A RECONFIGURAR A FORMA DE INTERAÇÃO NAS ESCOLAS

Texto Daniel Candido  |  Foto(s) JBreno

27/09/2011 21:21 - Atualizado em 06/10/2011 06:00

Lápis e cadernos dão espaço a teclas e chats. No novo momento vivido pelos estudantes, as redes sociais como Facebook foram incorporadas de vez à rotina de aprendizado.
O compartilhamento de dados vai desde anotações das aulas até o debate do conteúdo escolar por meio de textos, imagens e vídeos. E se as mesas de discussões nas bibliotecas escolares migraram para o ambiente virtual, as agendas em papel e cadernos de notas foram substituídos aos poucos pelas comunidades no Orkut, grupos de discussões por e-mail e outras mídias. A agilidade da comunicação e o crescimento do acesso à internet nos últimos cinco anos aparecem como alguns dos fatores dessa revolução da educação.
Para os alunos do quarto período de direito do Centro Universitário Barão de Mauá, que mantêm um grupo de discussões da turma no Facebook, a tecnologia permite aproveitar o relacionamento interpessoal das redes sociais para incentivar os estudos. “Nosso espaço [virtual] foi criado para discutir questões referentes às aulas, bem como assuntos relacionados ao mundo jurídico. Assim, todos os alunos podem tirar suas dúvidas e um ajuda o outro,” afirmou a estudante de direito Maíra Angélica dos Santos, uma das administradoras do grupo.
O conteúdo é composto por vídeos, dicas de sites, informações sobre palestras e trabalhos solicitados pelos professores. “As postagens incentivam o pessoal a pesquisar assuntos interessantes e a maioria aprende melhor quando estuda em grupo”, disse a aluna Miriam Antunes, também administradora da página.
Segundo ela, muitos alunos da turma moram em outra cidades e isso diminui as chances de encontros presenciais. “Com a correria do dia a dia, não temos a possibilidade de nos reunirmos fora do horário de aula, então essas postagens contribuem para essa interação”, afirmou Miriam.
O estudante de direito Vinicius Chaboli Tichonink participa do grupo e disse que a proposta das colegas facilitou muito a rotina de aprendizado. “Conectado, seja no trabalho, em casa ou pelo celular, consigo me atualizar mais constantemente tanto sobre as notícias acadêmicas quanto sobre as da minha área” declarou o estudante.

 


Na ponta do mouse Em vez de apostar todas as fichas em cadernos de questões e cartões de respostas, o colégio Liceu Albert Sabin investiu este ano em uma forma inédita de avaliar os candidatos a alunos da instituição. O processo seletivo para o Ensino Médio, o chamado “vestibulinho”, que era feito apenas com provas em papel, foi substituído por uma avaliação mista.
A proposta foi dividida em duas etapas: uma online, com peso de 30%, e outra presencial, que equivale a 70% da nota.  Para participar, os candidatos tiveram que acessar a Fan Page da instituição no Facebook e interagir com ela, além de realizar as provas digitais nas datas e horários estipulados pelo colégio.
 A gerente de marketing e comunicação do Sabin, Mariângela Intrabartollo, contou que a motivação para o desenvolvimento da iniciativa pioneira foi o crescimento das redes na vida das pessoas. “As mídias sociais digitais são muito populares, principalmente entre os jovens na faixa etária do nosso público. Eles estão praticamente 100% no Facebook. Assim estamos no universo deles, utilizando um meio que já é parte integrante da rotina”, disse Mariângela.
Para a gerente, o sucesso do Facebook entre os estudantes se deve ao fato de ser um canal com ferramentas rápidas e de fácil utilização.Segundo o Sabin,  o número de participantes na prova presencial aumentou após a realização da etapa online. “O resultado foi altamente positivo, com grande adesão, participação e integração dos jovens”, comemorou Mariângela.

Cuidado Extra  Apesar das vantagens, o estudo online pode trazer algumas armadilhas. Para a educadora especialista em dependência de Internet, Karina de Mello Guimarães Fonseca, a orientação de professores para o uso do que é compartilhado nas redes sociais é essencial para um melhor aproveitamento do que é passado com fins educacionais.
“Os alunos têm que melhorar o enfoque ao acessar uma rede social e selecionar o conteúdo, porque a interação com outros usuários é instantânea e isso estimula facilmente a dispersão para outros focos” explicou a educadora.


Publicidade
Baixe Brasilroots
Publicidade